Creative Computing
Editor-chefeDavid H. Ahl
Fundador(a)David H. Ahl
Primeira ediçãoOutubro de 1974
Última ediçãoDezembro de 1985
EmpresaZiff Davis
PaísEstados Unidos
IdiomaInglês
ISSN0097-8140

Creative Computing foi uma das primeiras revistas a cobrir a revolução dos microcomputadores. Publicada de outubro de 1974 até dezembro de 1985, a revista cobria todo o espectro da informática amadora/doméstica/pessoal em um formato mais acessível do que a revista Byte, mais voltada para aspectos técnicos.[1]

A revista surgiu com foco em temas educacionais.[2] As primeiras edições traziam artigos sobre o uso de computadores em sala de aula, programas simples como Mad Libs [en] e diversos desafios de programação, quase sempre em BASIC. No final da década de 1970, passou a cobrir temas mais gerais com o surgimento do mercado de microcomputadores. A cobertura de hardware tornou-se mais frequente, mas programas para digitar continuaram comuns até o início dos anos 1980.

A empresa publicou vários livros, sendo o mais bem-sucedido BASIC Computer Games [en], o primeiro livro de computação a vender um milhão de exemplares.[3] As coletâneas Best of Creative Computing também foram populares. A Creative Computing lançou softwares em fita cassete e disquete para os sistemas de computador populares da época e manteve um pequeno negócio de hardware.

A Ziff Davis comprou a Creative Computing em 1982 e encerrou as atividades não relacionadas à revista.[4]

História

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DEC e Edu

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Antes de fundar a Creative Computing, no início dos anos 1970 David H. Ahl trabalhava no departamento educacional da Digital Equipment Corporation (DEC), onde começou a publicar o boletim Edu na primavera de 1971.[2] Na época, a DEC tinha cerca de 2.000 a 3.000 máquinas em uso em ambientes educacionais, por isso Ahl ficou surpreso ao ver o número de assinantes chegar a 20.000 após 18 meses. Ele descobriu que muitos assinantes não possuíam uma máquina DEC, mas usavam o Edu como fonte de informações gerais sobre computadores na educação. Isso plantou as primeiras ideias de uma revista independente voltada para esse público.[5]

Em 22 de fevereiro de 1973, Ahl foi demitido durante uma redução de quadro na DEC. Ainda antes de receber o último pagamento, foi contratado por outro departamento para ajudar a desenvolver novas versões de baixo custo da linha de minicomputadores da DEC. Durante esse período, reuniu várias contribuições de usuários para o Edu e convenceu a DEC a publicar 101 BASIC Computer Games no verão de 1973.[5] O livro foi um sucesso, vendendo mais de 10.000 exemplares em três tiragens: julho de 1973, abril de 1974 e março de 1975.[6]

Em 1974, a equipe produziu dois novos projetos: um PDP-8 combinado com um terminal VT50 e uma versão portátil do PDP-8 com um pequeno disquete para uso com um terminal de computador externo. Outras divisões da DEC viram essas máquinas baratas como ameaça aos próprios produtos e pressionaram contra elas, gerando debates que chegaram ao CEO. Quando os novos projetos foram pessoalmente cancelados por Ken Olsen com a frase “não consigo ver motivo para alguém querer um computador só para si”[5], Ahl deixou a DEC e foi trabalhar na AT&T.[5]

Formação

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Foi nesse momento que Ahl decidiu seguir com a ideia de uma revista voltada para educação. Acreditando que o mercado educacional interessaria fundações públicas e empresas, enviou propostas de financiamento a mais de cem companhias e não recebeu resposta.[2] Em vez disso, usou recursos próprios para imprimir 11.000 panfletos que enviou à Hewlett-Packard e outros fabricantes de minicomputadores, conseguindo 850 assinaturas para uma revista que ainda não existia.[2][a]

Em vez de imprimir apenas 850 exemplares, Ahl dividiu o dinheiro das assinaturas em duas partes: guardou metade para operações futuras e usou a outra para imprimir o maior número possível de exemplares da nova revista. Isso permitiu produzir 8.000 cópias da primeira edição, concluída em 7 de outubro de 1974. Os assinantes receberam suas cópias primeiro, mas o restante foi enviado gratuitamente a diversas empresas, bibliotecas e escolas. Ele repetiu o mesmo padrão nas três edições seguintes.[3] A estratégia funcionou, e as assinaturas começaram a crescer rapidamente.[7] Durante esse período, a revista era baseada em Morristown, Nova Jersey.

Crescimento

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Em agosto de 1975, a revista já tinha 2.500 assinantes. Em janeiro, o Altair 8800 havia sido anunciado, e Ahl começou a buscar novos autores capazes de escrever para o mercado em expansão dos microcomputadores. Em 1976, o conteúdo estava dividido basicamente entre educação e microcomputação. Nesse ponto, a revista passou a buscar ativamente anunciantes, e a edição de novembro/dezembro de 1976 foi a primeira impressa em papel revestido em vez de papel-jornal para melhorar a qualidade dos anúncios.[3]

Em 1978, as assinaturas atingiram 60.000, e a receita se aproximava de US$ 1 milhão. Em julho de 1978, Ahl deixou o emprego na AT&T para trabalhar em tempo integral na Creative Computing. Isso gerou atritos com sua esposa.[8] Em agosto, compraram a revista ROM[b] e dois boletins menores, incorporando seu conteúdo à revista. Em janeiro de 1979, passou de bimestral para mensal.[9]

Em 1979, a revista já não cabia na casa unifamiliar de onde era administrada, e Ahl procurou uma casa geminada maior que permitisse morar com a esposa em uma metade e gerir a revista na outra.[8] Foi nessa época que a Regis McKenna [en], agência de publicidade que atendia a Apple, foi cobrada por um anúncio atrasado. A agência apresentou um cheque cancelado comprovando o pagamento. Ao investigar, a polícia descobriu que duas pessoas da empresa haviam desviado US$ 100.000 ao direcionar alguns cheques recebidos para uma conta própria em outro banco. O esquema só foi descoberto porque um dos envolvidos esqueceu de marcar a fatura da McKenna como paga, gerando o envio de uma segunda cobrança.[8]

Ao saber da história, a esposa de Ahl o expulsou de casa enquanto tramitava o divórcio.[10] Ele se mudou para o único quarto vago do outro lado do prédio. Durante esse período, Theodor Nelson, conhecido pela invenção do hipertexto, foi brevemente editor da revista. Nelson chegava às 17h e trabalhava a noite toda, acordando Ahl no quarto quando começava a imprimir em uma impressora de impacto Qume [en]. Em outubro de 1980, a empresa mudou-se para um prédio comercial muito maior de 2.300 m².[4] Ao longo desse período, contavam com colunistas como Robert Swirsky [en], David Lubar [en] e John J. Anderson [en]. A revista incluía regularmente código-fonte em BASIC de utilitários e jogos que os leitores podiam digitar manualmente em seus computadores domésticos. As edições de abril, a partir de 1980, ficaram famosas pelas paródias das principais revistas de computação da época.

Ziff Davis

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Grandes editoras começaram a perceber o mercado de computação. Um marco foi em 1979, quando a McGraw Hill Education [en] comprou a Byte. Em 1982, a maioria das revistas de qualidade já havia sido adquirida, restando poucas independentes de grande porte, incluindo Compute! [en], Interface Age [en], Family Computing [en][c] e Creative Computing.[8]

Percebendo que estavam sendo pressionados para fora do mercado devido aos grandes orçamentos e poder de marketing desses concorrentes, em 1982 Ahl abordou vários potenciais compradores, incluindo Atari, CBS[d] e Ziff Davis.[8] Em 1982, Ahl vendeu a empresa para a Ziff Davis, que na época publicava 28 revistas diferentes. Ahl permaneceu como editor-chefe.[9][4] A revista mudou-se para Los Angeles, Califórnia. No auge, atingiu cerca de 500.000 assinaturas.[8]

No início dos anos 1980, especialmente com o lançamento do IBM PC, o mercado começou a migrar de um foco em hobby e educação para aplicações mais voltadas a negócios. A Ziff rapidamente redirecionou o foco da revista para software, e os artigos de programação desapareceram logo após a venda. A tentativa de reposicionar a revista para computação empresarial não deu certo, e quando William Bernard Ziff Jr. [en] teve um susto com o surgimento de um câncer em 1985, passou a concentrar os negócios, vendendo várias revistas especializadas. A Ziff acabou encerrando a Creative Computing em dezembro de 1985.[4]

Outras revistas

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A empresa também lançou várias outras revistas em diferentes momentos, mas nenhuma delas teve grande sucesso e costumavam ter tiragens muito curtas.[8] Entre elas estavam Small Business Computing, Sync Magazine para o ZX81 e Video and Arcade Games.[8]

Livros

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A empresa publicou diversos livros. Entre eles, três volumes de The Best of Creative Computing Magazine (Creative Computing Press) em 1976, 1977 e 1980. A capa do volume 2 foi ilustrada pelo cartunista Gilbert Shelton. 101 BASIC Computer Games foi adaptado para Microsoft BASIC e publicado em 1978 como BASIC Computer Games [en]. Tornou-se o primeiro livro de computação a vender um milhão de exemplares.[3] Seguiu-se More BASIC Computer Games em 1979.

Publicou também a primeira coletânea The Best of Byte, apesar de ser concorrente amigável da Byte. A relação terminou com a compra pela McGraw Hill Education.[8]

Software

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Diversos jogos para computadores domésticos foram publicados sob a marca Sensational Software, também conhecida como Creative Computing Software. O maior sucesso foi uma versão de Space Invaders para o Apple II. A Ziff Davis fechou a divisão por considerar que competia com os anunciantes.[8]

Títulos incluíam:

Hardware

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A empresa vendeu hardware por um curto período sob a marca Peripherals Plus. O principal produto era uma placa de som para o Apple II, além de um plotter e outros itens. A Ziff Davis também fechou essa divisão.[8]

Notas

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  1. Uma narrativa posterior em Anderson menciona 600 assinaturas.[5]
  2. Não relacionada à publicação relacionada à Atari de alguns anos depois.
  3. Embora Ahl mencione Family Computing em uma entrevista,[8] essa revista só começou em 1983, então provavelmente houve confusão com o nome.
  4. A CBS tinha uma divisão de revistas na época.[8]

Referências

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  1. «Creative Computing». The Online Books Page: Serial Archive Listings. USA: University of Pennsylvania. Consultado em 12 de maio de 2014 
  2. a b c d Ahl 1976, p. 2.
  3. a b c d Anderson 1984, p. 72.
  4. a b c d Harry McCracken (20 de novembro de 2008). «The Twelve Greatest Defunct Tech Magazines Ever». Technologizer. Consultado em 3 de agosto de 2015 
  5. a b c d e Anderson 1984, p. 70.
  6. 101 BASIC Computer Games (PDF). [S.l.]: DEC. Março de 1975 
  7. Ahl 1976, p. 3.
  8. a b c d e f g h i j k l m Savetz 2013.
  9. a b Anderson 1984, p. 74.
  10. Anderson 1984
  11. Isabelle, Alan (dezembro de 1980). «Capsule Reviews». The Space Gamer (34). Steve Jackson Games. 35 páginas – via Internet Archive 
  12. Mishcon, J. (agosto de 1980). «Capsule Reviews». The Space Gamer (30). Steve Jackson Games. 29 páginas – via Internet Archive 
  13. Webster, Bruce F. (janeiro de 1981). «Capsule Reviews». The Space Gamer (35). Steve Jackson Games. pp. 28–29 – via Internet Archive 
  14. Webster, Bruce F. (janeiro de 1981). «Capsule Reviews». The Space Gamer (35). Steve Jackson Games. 29 páginas – via Internet Archive 
  15. Johnson, Forrest (julho de 1981). «Capsule Reviews». The Space Gamer (41). Steve Jackson Games. 36 páginas – via Internet Archive 
  16. Johnson, Forrest (junho de 1981). «Capsule Reviews». The Space Gamer (40). Steve Jackson Games. 35 páginas – via Internet Archive 

Outras fontes

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Ligações externas

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  • Três volumes de Best of Creative Computing disponíveis em AtariArchives.org
  • Texto completo da maioria das edições dos últimos três anos (1983–1985) da revista em AtariMagazines.com
  • Digitalizações completas da maioria das edições, exceto os três primeiros anos, em Archive.org

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circuit board  Hsiung, Sebean (5 de maio de 2010). «How to bypass USB controller and use as a SATA drive». datarecoverytools.co.uk. Consultado em 25 de

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SATURNO, A.P. ALVES DA SILVA & X.D. DO - “Simulation of a Neural Net Controller for Motor Drives”, Transactions of IMACS - Mathematics and Computers in

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